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Sou o Amigo de Sempre!!


«Fiel, o cachorro do meu vizinho caçador, voltou coxo de uma caçada: um terrível engano ia-lhe destroçando a pata dianteira direita. E o pobre animal, que noutros dias tenho de acalmar, para que não me lambuze a cara com a língua, olha-me hoje com olhos tristes, encostado a um canto, como se quisesse explicar-me a sua tragédia com a patita levantada. Mas, mal chegámos a casa e se abriu a porta do carro, foi como se de repente esquecesse todo o seu problema. Fiel sai a correr em direcção às crianças suas amigas, com a pata direita levantada, apoiando-se, com estranhas posições, nas outras três. É como se fizesse de palhaço e pusesse no seu coxeio um pouco de farsa e brincadeira. E corre, salta, sem tocar nunca o chão com a pata ferida. Dir-se-ia que nunca teve senão três patas.
Observo-o com espanto e admiração... e penso para comigo... será apenas mérito dos animais que nos ajudam a humanizar as nossas vidas apressadas, tensas, irritadas, ansiosas e cada vez menos disponíveis e solidárias?
Cães, gatos e outros, foram e são mestres dos afectos que não reclamam contrapartidas.»

(Autor: José Jorge Letria; Fonte: "Amados Cães")


Gostaríamos neste momento de sublinhar o que exemplarmente foi dito pelo filósofo Peter Singer, no seu livro, "Libertação Animal":
"Não podemos aplicar standards distintos ao sofrimento dos animais humanos e não humanos. A moral é universal. Deveríamos entender o sofrimento alheio como entendemos o nosso, e o dos animais como o dos nossos congéneres."

Sem Perda de Tempo...


Lemos algures...

"Tenho ganas de descer à esquina, estender a mão, e mendigar aos que passam: Dêem-me, por favor, um quarto de hora!"
(Kazantzaki)

Diariamente, quantos quartos de hora perdemos nós em ninharias?!

Estaremos nós, por vezes, como que anestesiados?!

Necessitamos mesmo de mendigar tempo aos outros?!

Quem nos responde??

Tostões vrs Milhões


Nos últimos dias temos sido bombardeados, pela comunicação social, com a notícia da contratação de um futebolista, por sinal português, por um grande clube espanhol.
O dito desportista vai auferir qualquer coisa como 750.000 euros mensais, ou seja, o equivalente a 55 salários mínimos por dia!
Exagero?! Injustiça?! Egoísmo?! Ganância?!...
Não vamos dirigir a questão nesse sentido.
Sabemos, isso sim, que os menos afortunados, que dia-a-dia contam os parcos cêntimos que lhes sobram na carteira, já só desejam que não apertem mais a corda que lhes sufoca a sobrevivência e, dessa forma, os deixem respirar e resistir nesta “selva sem lei”.
No outro extremo, os novos-ricos dão-se a luxos, esbanjamentos e, o mais estranho para nós, ainda conseguem a proeza de serem idolatrados e quase elevados à categoria de deuses.
Uns a tentar manter a cabeça à tona de água, outros até a dormir enriquecem.
Numa sociedade marcadamente materialista e consumista, as assimetrias sociais são cada vez mais notórias.
Pobres em maior quantidade e com mais dificuldades, ricos a usufruir de maiores benesses e proteccionismo estatal.
Quem travará a marcha desgovernada desta locomotiva?

Um Exemplo


07 de Junho de 2008: o Grupo Pão de Açúcar inaugurou o primeiro “supermercado verde”, na cidade de Indaiatuba, no Estado de São Paulo, Brasil.
Reconhecido pelo seu pioneirismo na área de responsabilidade sócio-ambiental, conseguiu reunir, num único espaço, práticas de sustentabilidade e avançou com uma série de inovações de estímulo ao consumo consciente.
Informação, instalações, produtos e completos processos de reciclagem e aproveitamento de resíduos, foram algumas das ferramentas escolhidas para envolver fornecedores e consumidores acerca de conceitos e práticas de consumo sustentável.
Através de muita informação espalhada no interior e exterior deste espaço comercial, os clientes são esclarecidos e incentivados para a mudança e melhoria dos seus comportamentos de consumo.
Os preceitos que balizaram a implantação desta loja são simples, eficazes e deveriam, cada vez mais, ser utilizados por todos nós: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Uma História Real…


«Na véspera tinha-me telefonado um amigo meu para saber se eu estaria livre na manhã seguinte. Era domingo, e disse-lhe que sim.
“Poderias então fazer-me um favor?”, perguntou. Não a ele pessoalmente, esclareceu, mas a um amigo que precisava que alguém lhe explicasse a basílica de São Pedro. Respondi que sim, recordando a minha experiência enquanto cicerone dos peregrinos.
“Mas – insistiu o meu amigo, com uma voz carregada de mistério – este é um turista todo especial!” “Alguma personalidade?”, perguntei. “Não, é um cego”, disse a voz do outro lado do telefone. Fez uma pausa – a aproveitar o meu espanto –, e logo acrescentou: “Quer ‘ver’ a basílica e, eu pensei que não a veria mal através dos teus olhos!”
Senti-me nervoso. Seria eu capaz de fazer “ver” a basílica a um cego? Como explicaria naves e colunas, cúpulas e retábulos?
A surpresa começou quando Lourenço Tapia – assim se chamava – desceu do autocarro que parava exactamente a duzentos metros da praça vaticana. Teria uns vinte e cinco anos… e, trazia estampadas no rosto a alegria e a decisão de simplesmente viver a vida. Eu, tinha começado a tremer, asseguro-vos.
Explicou-me que era cego desde os onze anos, que, ao perder a vista, viveu muito tempo uma terrível agonia, até descobrir que tinha dentro um coração, e que lhe bastava isso para ser feliz. Desde então tinha decidido não se fechar e viver como se os olhos continuassem a iluminá-lo, sem se enroscar no seu próprio medo.
Por vezes, explicou, ao sair sozinho pelas ruas, perdia-se e, acabava no lugar oposto ao que procurava. Isto metia-lhe medo, mas depois compreendeu que pouco importava, porque no lugar onde fora ter por engano sempre acabava por encontrar alguém que o ajudava, alguém de quem podia fazer-se amigo. “Porque – afirmou como se formulasse um dogma – todo o Ser Humano é bom!”
- Sabes muito bem que isso não é verdade, argumentei.
- Quem o não sabes és tu, sorriu de novo. É preciso ser cego para saber que a humanidade é boa. Tenho às vezes problemas, mas sei que na vida tudo tem saída! E, para nos entendermos com desconhecidos, basta um profundo interesse pela vida e pela personalidade dos outros. Basta não ter medo e admitir a profunda necessidade que todos temos uns dos outros. Eu deles, e eles de mim... porque todos são cegos de alguma coisa!”
Lourenço, não me deixou ficar muito tempo na minha reflexão: “Agora, disse, pegando-me pela mão, vamos ver a basílica!” E como se notasse o meu pulso agitado, riu de novo e acrescentou: “Dir-se-ia que sou eu que te guio a ti!”
Era verdade. Deixei-me conduzir pela sua alegria e mergulhei naquela praça que eu visitava todos os dias, mas realmente pisava então pela primeira vez. Com os olhos fechados – tratando de imaginar como a “veria” ele – fui explicando as colunas, o mármore das estátuas, a geometria da fachada, a luz flutuante da cúpula… Ao fazê-lo, dei-me conta que estava a falar da basílica interior…
Quando tornei a abrir os olhos senti-me rodeado de cegos: de gente que falava de dinheiro, de esperanças baratas, de gente que via com os olhos mas não com a alma.»

(Autor: José Luís Martín Descalzo; Fonte: "Razões para a Esperança")

10 de Junho – As medalhas esquecidas!


“Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos.”

(Rui Veloso e Carlos Tê)

Este ano as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, realizaram-se em Santarém.
Foram agraciadas 36 personalidades, oriundas das mais diversas áreas, numa escolha que, na opinião do Chefe de Estado, pretendeu reflectir o dinamismo da sociedade portuguesa.
Sem querer questionar o critério da escolha e muito menos o mérito dos condecorados, queremos tão-somente recordar todos os Homens e Mulheres que por esse país fora, longe das luzes da ribalta, executam trabalhos valorosos e edificantes, servindo o seu semelhante sem esperar receber algo em troca.
O reconhecimento, quando acontece, verifica-se quase sempre a título póstumo e, é também por isso, que hoje os saudamos e agraciamos com a “Grã-Cruz da Ordem da Solidariedade”.
A justiça ser-vos-á feita!

Abstenção: o voto dos "sem voz"


"A Parte mais importante do progresso é o desejo de progredir" (Séneca)

Portugal foi a votos...
Mais importante do que os resultados obtidos por cada um dos partidos concorrentes, é o desinteresse demonstrado pelos portugueses por este acto eleitoral. Num universo de 9.489.277 eleitores, apenas 3.554.931 exerceram o seu direito de voto...
O voto é a "arma do povo"! A abstenção torna cada abstencionista num ELO INVISÍVEL da Sociedade! Esta, que se pretende cada vez mais interventiva, dinâmica, cumpridora dos seus deveres e onde cada um reclame e usufrua dos direitos conquistados ao longo dos anos, todos temos que participar e, não faz sentido que, por culpa própria, percamos poder de decisão.
Torna-se incómodo e preocupante este enorme alheamento perante um acto cívico e de fundamental importância para todos.
Porquê prescindir de um direito consagrado na Constituição?
Que força moral têm os abstencionistas para reclamarem sobre a actuação dos governantes?
A verdadeira DEMOCRACIA constrói-se com a participação de todos. Optar pela abstenção é deixar que os outros decidam por nós.

Reflictam!

Mudar de Agenda


Agora reconheço que “em cada cinco anos” mudamos de Alma em grande parte! Creio nunca ter experimentado, como nesta manhã, o que significa a passagem do tempo pela vida humana! Coisas que há cinco anos me pareceram eternas, já não passam de recordações mais ou menos vagas… "Dores" que pareciam incuráveis, hoje fazem-me sorrir e perceber que eram preciosas para eu poder crescer…
Mudar de agenda é um bom exercício de humildade e de reflexão que nos leva a pôr em surdina muitos dos nossos radicalismos!... Mas claro, não é nada fácil! Recordo que, por vezes, me irritavam os conselhos daqueles que me diziam que esperasse, que as minhas angústias ou as minhas inquietações o tempo as havia de amortecer! Hoje descubro que assim é, de facto, é absolutamente verdade… e assim deverá ser!
Sei que ao mudar de agenda vou sentir-me como que perdida, receosa… mas também esperançosa… porque é como se quisesse, em cada tentativa de mudança, deixar para trás parte de uma pessoa que eu fui, menos boa… Desejo sempre cortar certas amarras que em nada me auxiliam a evoluir como Ser Humano!
Hoje, ao despertar, vi o sol já alto e ele repreendeu-me!
Eu respondi-lhe: “Não grites comigo… Bem sei que posso ser sempre um dos teus raios!” (Sonhei com certeza… um Sonho bem revelador!)
A energia serve de muito pouco se não se dinamiza! Sei que é fundamental dinamizar todas as minhas potencialidades! E… simplesmente não fazer nada de mal não me transforma em alguém bom! Bom é quem positivamente faz bem o que tem de fazer!
É muito frequente abstermo-nos de fazer ou dizer, para não complicar a vida. E isso é justo e lógico quando não temos obrigação de fazer ou dizer. Mas há momentos ou ocasiões em que o não fazer ou não dizer pode constituir um grande mal!
É por isso que desejo frequentemente uma relação gratificante com o Outro, porque, muitas vezes, sinto deficiências em mim mesma e, para que não sejam tão dolorosas, preciso apoiar-me no outro que me é próximo… Ou, por vezes, sou ávida por preencher essas lacunas com algo verdadeiramente harmonioso e belo! Procuro, na realidade, nas pessoas que para mim são significativas, a ajuda de que necessito para chegar a realizar esse “eu” ideal que inconscientemente sonho constantemente!
Mas… afinal… se Eu e todos Nós voltássemos o olhar para dentro de nós, veríamos que o que aspiramos chegar a ser, já O Somos… mas não o vivemos! Limitamo-nos, na relação com os outros que nos rodeiam, a esperar, acima de tudo, que reconheçam as nossas qualidades e o nosso valor… Quando o importante é, então, conhecer a riqueza, a energia, o amor, a inteligência que somos no fundo de nós próprios… e exprimir e pôr ao serviço a nossa essência, ao longo da nossa existência… em cada Dia que passa!
Não quero chegar à velhice sem ter percebido o quão teimosamente lutaram as minhas asas para sair debaixo das omoplatas, mas que morreram como ramos secos, ou porque a realidade as podou, ou porque não me preocupei em cultivá-las!...

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