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Figueira da Foz - Na ponta de um pincel

O Vendedor de jornais


«Como sempre, como em todos os dias, fui comprar o jornal num posto de venda, próximo da minha casa.
Naquele dia, acompanhava-me um amigo.
Como sempre, saudei o vendedor com um "Bom dia!", a que ele, como sempre, não respondeu.
Pedi o jornal e, como sempre, com cara de poucos amigos, deu-mo displicentemente.
Disse-lhe "obrigado", como sempre. E ele, como sempre, nem olhou para mim.
O meu amigo, no regresso, disse-me:

- Que senhor tão antipático!
- Sim, - respondi - é sempre assim!
- Como? - disse ele - Trata-te sempre assim e tu ainda vens cá, e lhe agradeces?!
- Sim, - respondi-lhe - eu decido o que faço! Não quero deixar as minhas decisões na sua antipatia ou no que ele faça ou deixe de fazer. Além disso, quem sabe porque é que ele tem esse feitio? Deve ser muito infeliz por ser assim. Como vou fazê-lo ainda mais, se não vier cá comprar-lhe o jornal e não o cumprimentar?
- Seja como quiseres, - disse-me o meu amigo - mas eu iria comprá-lo a outro lado!
- Essa é uma atitude muito automática de reacção - disse-lhe eu. Estamos acostumados a responder aos estímulos automática e reactivamente.
A um bom estímulo reagimos com bondade e amabilidade... e, quando o estímulo é aborrecido, respondemos como se fossemos uma máquina mecânica. Parece que estamos programados como robôs. Conforme o botão em que se carrega, assim é a nossa resposta.
Dessa forma, não somos nós que governamos e decidimos a nossa vida e os nossos actos, mas os outros.
Nas vinte e quatro horas do dia, são muito poucos os momentos em que somos realmente livres. Quase sempre agimos reagindo automaticamente às circunstâncias do momento».

(Autor: Dario Lostado; Fonte: "Viver como Pessoa")

Cão Guia

E Depois do Adeus...


Hoje partilhamos convosco um pequeno excerto do livro "Daqui a Nada", do jornalista da SIC Rodrigo Guedes de Carvalho.

"(...) quando soube que tinhas morrido, pensei que não iria sofrer. Pensei que estavas já demasiado ausente, há muito tempo, pensei que sempre tinhas estado morto. E agora, lembrando o passeio que dei hoje à tarde pelo meio das campas, penso em ti. Penso que foste estúpido, penso que fui estúpida, penso que adiámos demais, talvez por pensar que éramos eternos, e acabamos assim - já reparaste? - por dar razão aos imbecis dos ditados populares que dizem que não se deve deixar para amanhã. Penso em ti e afinal fazes-me falta. Não sei se estas coisas se costumam dizer aos mortos, mas dorme bem. Descansa. Se quiseres, eu peço às nuvens para passarem sem fazer barulho. Peço às árvores para te darem sombra. E se te apetecer falar comigo, não o faças. Porque já não o podes fazer."

Vale a pena pensar nisto...
Nem sempre o SILÊNCIO é de Ouro!!

Mão Estendida...


Muitos julgam que só os feitos excepcionais ou os actos de heroísmo podem fazer um mundo melhor e mais empolgante. Porém é no conjunto dos pequenos esforços, dos pequenos actos de bondade e de solidariedade que se concentra a nossa contribuição para o bem-estar do próximo e até de nós mesmos! É através destes Pequenos Grandes Gestos que se constrói um mundo mais promissor!
Todos os dias nos surgem oportunidades de amenizar a vida de alguém, através de uma mão estendida, uma palavra de estímulo, um sorriso... Podemos ser uma fonte de força para os que nos cercam. A longo prazo, esses pequenos actos de amor podem ter mais significado do que um feito singular.
Precisamos de estar relacionados com pessoas, porque necessitamos delas... porque nos faz falta a sua ajuda, a sua presença, o seu carinho, a sua atenção!... Desculpem dizer-vos, mas, infelizmente, muitas vezes procura-se a relação só por um benefício egoísta! Procura-se quem é útil e pode ajudar em qualquer momento... Se não pode beneficiar, já não interessa!!
A relação pessoal pode ser algo mais do que uma exploração do que o outro nos pode dar... e, estabelece-se, assim, um intercâmbio de bens! Procura-se com este intercâmbio de bens, de sentimentos, de ideias,... enriquecer-se mutuamente e, ao mesmo tempo, procura-se evoluir. É um passo mais inteligente e algo mais humano!

"Deus poderia ter criado marionetas num mundo perfeito, mas, afinal, todos preferem ter o direito de escolha, correr riscos, inerentes à liberdade da acção individual. A nossa responsabilidade é lutar por um mundo onde a maioria das escolhas se incline pelo bem."
(Joel Oseran)

Pois... mas mais importante do que terminar de reflectir, escrever e/ou falar tudo isto... é mesmo, simplesmente actuar!!

É hora de dizer... BASTA!


Ao folhear o Diário de Notícias de 18.06.2009, deparámo-nos com a seguinte notícia:

«As agressões no seio familiar, de filhos contra os pais, aumentaram. Só no ano passado, a Associação de Apoio à Vítima (APAV) registou 501 novos casos, o dobro em relação a 2004.
Segundo o presidente João Lázaro, está já a ser preparado um relatório dedicado a esta matéria e as próprias equipas dos centros de apoio estão a receber formação específica e a apostar na prevenção. O responsável disse ontem ao DN que, em 2004, registaram-se 299 casos (242 contra as mães). As mulheres também foram as principais vítimas no ano seguinte, com registo de 252 casos (214 dos quais contra elas). Estas agressões continuaram a aumentar em 2006, com 275 ataques, e em 2007 quase duplicaram para 594. De acordo com a psicóloga da APAV, Helena Sampaio, a maior parte das vítimas são idosas agredidas pelos filhos - alguns dependentes do álcool e da droga.
Mas já há pais que são vítimas dos filhos adolescentes. "As camadas mais jovens têm manifestado comportamentos violentos, às vezes por carências afectivas próprias da nossa sociedade actual", diz a psicóloga».

Se todo e qualquer tipo de violência é um acto sempre condenável, o que dizer quando é exercido por filhos contra os pais?

Pegando nas últimas palavras de Helena Sampaio, o que mais impressiona em todo este panorama do nosso mundo "civilizado", é que parece que nos acostumámos a esta mesma realidade, a viver rodeados por essas CARÊNCIAS efectivas... Perante o que nos incomoda e desagrada, por vezes é mais fácil encontrarmos desculpas para deixar de fazer o que deve ser feito!

É importante que tomemos consciência deste tão grave fenómeno e que o mesmo seja denunciado. Não hesite em fazê-lo!

De pequenino se torce... a Poupança!


"A educação e a formação são o ouro, as minas, de um povo. Um povo que cuida da formação dos seus jovens é um povo que vai mais longe. É o que há de mais rico e importante."
(Maria Cavaco Silva)

«A primeira-dama não tem dúvidas de que este é um tempo que coloca grandes desafios aos jovens e que a aceleração que marca o mundo actual levou a um acentuar do fosso geracional: "Os jovens encontram sempre um mundo diferente daquele que encontraram os pais e os avós. Quando olhávamos para trás ainda encontrávamos algumas referências, coisas que permaneciam iguais. Hoje, quando os jovens olham para os pais e avós, já têm poucas coisas que continuem iguais".
Na opinião de Maria Cavaco Silva "existe uma noção falsa, sobretudo junto dos mais pequenos que têm todas as necessidades básicas resolvidas, da facilidade do dinheiro". O que leva a que as gerações mais novas tenham mais dificuldade em lidar com situações de crise. "Uma das viragens que terá que acontecer, é que os mais novos vão ter que se preparar para lidar com um mundo que é finito, quando talvez tenham sido educados para um mundo que se acreditava infinito.
Para que a situação se inverta é essencial que a noção de poupança seja transmitida às crianças desde cedo. Deve ser passada. Tem que ser passada!"».

(Excerto de uma entrevista a Maria Cavaco Silva, por Susana Torrão
; in Revista do Montepio, Nº62)

Vida Feliz...


A equipa do psiquiatra George Valliant da Universidade norte-americana de Harvard, divulgou recentemente as conclusões de um estudo de décadas, sobre os factores que levam a uma velhice em boa saúde física e mental:

- Capacidade de adaptação psicológica a circunstâncias adversas
- Bom nível de educação
- Uma relação afectiva estável
- Não fumar
- Não abusar do álcool
- Algum exercício físico
- Peso dentro dos limites

Sigam estas dicas e, como diria Raul Solnado, "façam o favor de ser felizes"!

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