O blogue RAÇA AMBÍGUA deseja a todos os seus seguidores e restantes visitantes um FELIZ NATAL!
No século IV, Nicolau, o bispo de Mirra, cidade situada entre Rodes e Chipre, tinha o hábito de distribuir presentes pelos pobres. Como não gostava de receber agradecimentos, camuflava-se. Após a sua morte, espalhou-se o hábito de as crianças colocarem os sapatos à porta de casa, à espera da visita de S.Nicolau.
Este hábito desenvolveu-se sobretudo na Holanda. Mais tarde o costume divulgou-se noutros países e, em vez de festejarem S.Nicolau a seis de Dezembro, começaram a festejá-lo na noite de Natal e passaram a chamar Pai-Natal àquele que ia levar as prendas.
Diz uma lenda que, tendo os Magos ido visitar Jesus com a intenção de lhe oferecerem como presentes – ouro, incenso e mirra – a cerca de sete quilómetros do local onde o Menino se encontrava, tiveram uma discussão: qual deles seria o primeiro a oferecer os presentes?
A solução foi-lhes dada por um artífice que, assistindo à conversa, quis ajudar a encontrar uma saída para o problema, que agradasse a todos. Ele faria um bolo em cuja massa meteria uma fava. Reparti-lo-ia depois pelos três; e aquele que encontrasse a fava na sua parte, seria o primeiro a oferecer os presentes ao Menino Jesus.
Conhecido pelo nome de bolo-rei, feito para escolher um rei, passou a usar-se, sobretudo no Natal, recordando o nascimento do Menino e a visita dos Reis Magos. A sua côdea simboliza o ouro, o miolo e as frutas secas, a mirra; e o aroma, o incenso.
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A ciência poderá ter achado a cura para a maioria dos males da vida, mas não achou ainda remédio para o pior de todos: a apatia dos seres humanos.
(Helen Keller)
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"Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar contra a Fome.
Quando tomei posse como presidente da Câmara de Santarém fui confrontado com a quantidade de prendas que chegavam ao meu gabinete. Era a véspera de Natal. Para um velho polícia, desconfiado e vivido, a hecatombe de presuntos, leitões, garrafas de vinho muito caro, cabazes luxuosos e dezenas de bolo-rei cheirou-me a esturro. Também chegaram coisas menores. E coisas nobres: recebi vários ramos de flores, a única prenda que não consigo recusar.
Decidi que todas as prendas seriam distribuídas por instituições de solidariedade social, com excepção das flores. No segundo Natal a coisa repetiu-se. E então percebi que as prendas se distribuíam por três grupos. O primeiro claramente sedutor e manhoso que oferecia um chouriço para nos pedir um porco. O segundo, menos provocador, resultava de listas que grandes empresas ligadas a fornecimento de produtos, mesmo sem relação directa com o município, que enviam como se quisessem recordar que existem. O terceiro grupo é aquele que decorre dos afectos, sem valor material mas com significado simbólico: flores, pequenos objectos sem valor comercial, lembranças de Natal. Além de tudo isto, o correio é encharcado com milhares de postais de boas-festas que instituições públicas e privadas enviam numa escala inimaginável. Acabei com essa tradição. Não existe tempo para apreciar um cartão de boas--festas quando se recebe milhares e se expede milhares.
Quanto às restantes prendas, por não conseguir acabar com o hábito, alterei-o. Foi enviada nova carta em que informámos que agradecíamos todas as prendas que enviassem. Porém, pedíamos que fosse em géneros de longa duração para serem ofertados ao Banco Alimentar contra a Fome. Teve um duplo efeito: aumentou a quantidade de dádivas que agora têm um destino merecido. E assim, nos últimos dois Natais recebemos cerca de 8 toneladas de alimentos.
Conto isto a propósito da proposta drástica que o PS quer levar ao Parlamento que considera suborno qualquer oferta feita a funcionário público. Se ao menos lhe pusessem um valor máximo de 20 ou 30 euros, ainda se compreendia e seria razoável. Em vários países do mundo é assim. Aqui não. Quer passar-se do 8 para o 80. O que significa que nada vai mudar. Por isso, fica já claro que não cumprirei essa lei enquanto funcionário público. Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar. E jamais devolverei uma flor que me seja oferecida."
(Francisco Moita Flores, Professor Universitário e Presidente da Camara Municipal de Santarém)
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