No final do ano é costume aparecerem um conjunto de relatórios de grandes instituições internacionais acerca da situação mundial das crianças, da pobreza, da população… Todos eles têm em comum o facto de nos alertar para o alargamento constante do fosso entre ricos e pobres. Tudo se passa como um triste ritual. Como se fosse necessário, em vésperas de festas natalícias, pôr um pouco de amargura, quanto baste, para condimentar um período particular, marcado, nos países ricos, pelo consumismo. Nada de mal nisso, se o ritual contribuísse para tornar mais tolerável o que na realidade é inaceitável. Este é, de facto, um fenómeno perverso que resulta também da grande mediatização que hoje vivemos a propósito das catástrofes, do crime, das injustiças sociais, da pobreza, da fome. Dir-se-ia que o sentimento do escândalo só nos afecta a primeira vez. Lentamente, esse sentimento é domesticado, até se transformar numa normalidade do mundo anormal.
O mundo tornou-se de tal forma complexo, que nos sentimos completamente impotentes para responder aos desafios que se nos colocam no mundo contemporâneo.
A questão que se coloca é a de se saber o que poderemos fazer, nós os mais comuns dos cidadãos, para contrariar este estado de coisas. Aparentemente, nada ou pouco.
Deveríamos, talvez, numa altura de crise económica, como a que atravessamos, começar a olhar para a pobreza dos que nos rodeiam sem o ferrete da nossa crítica acomodada. Quando fazemos notar a dificuldade dos mais pobres em fazerem o seu planeamento familiar, em gerir os seus parcos recursos, e em se formarem e educarem os seus, esquecemo-nos que isso faz parte da sua pobreza. E, sem nos apercebermos, estamos a criar desculpas para a nossa desresponsabilização. Entre esta atitude e a que adoptam os governantes dos países ricos, ao identificarem a incompetência, a corrupção, o tribalismo e o autoritarismo dos países africanos como responsáveis pela sua pobreza, existe apenas uma questão de escala.
Mas arranjar desculpas para a pobreza dos outros é um soporífero para dormirmos descansados.
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(adaptação do texto “É necessário mudar o olhar sobre a pobreza” de Carlos Camponez)
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Há alguns anos atrás foi realizada em França uma experiência insólita.
Num famosa loja parisiense foram colocados nas prateleiras produtos que tinham sido retirados dos contentores do lixo, depois de devidamente limpos e acondicionados, e com a respectiva etiqueta.
Sucesso total da operação! Empregados e clientes de nada se aperceberam no meio das luzes e do brilho. Tais produtos depressa desapareceram, apesar de custarem “os olhos da cara”. E viva a sociedade do consumo!
Que lição tirar desta experiência rara e cómica?
Vale a pena voltar atrás e olhar para os presentes de Natal que recebemos. E lembrar também os presentes que oferecemos aos nossos familiares e amigos. A maioria deles já perdeu o brilho e o fascínio do primeiro momento. Quantos não terão já ido parar, senão aos contentores do lixo, às prateleiras das coisas supérfluas ou do esquecimento!
Diz-se que o lixo que os habitantes da cidade americana da Manhattan lançam diariamente nos contentores do lixo daria para alimentar cidades inteiras dos países pobres.
Com toda a certeza o que nós deitámos ao lixo neste tempo natalício daria também para alimentar, senão tantas, ao menos algumas dessas cidades. Caiu o pano sobre as festas natalícias. Mesmo depois de apagadas as luzes não é tarde demais para reflectir.
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Porque é que meia hora é tão longa quando estamos a ouvir os outros e uma hora é tão pequena quando vamos falar com alguém?
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O blogue RAÇA AMBÍGUA deseja a todos os seus seguidores e restantes visitantes um FELIZ NATAL!
No século IV, Nicolau, o bispo de Mirra, cidade situada entre Rodes e Chipre, tinha o hábito de distribuir presentes pelos pobres. Como não gostava de receber agradecimentos, camuflava-se. Após a sua morte, espalhou-se o hábito de as crianças colocarem os sapatos à porta de casa, à espera da visita de S.Nicolau.
Este hábito desenvolveu-se sobretudo na Holanda. Mais tarde o costume divulgou-se noutros países e, em vez de festejarem S.Nicolau a seis de Dezembro, começaram a festejá-lo na noite de Natal e passaram a chamar Pai-Natal àquele que ia levar as prendas.
Diz uma lenda que, tendo os Magos ido visitar Jesus com a intenção de lhe oferecerem como presentes – ouro, incenso e mirra – a cerca de sete quilómetros do local onde o Menino se encontrava, tiveram uma discussão: qual deles seria o primeiro a oferecer os presentes?
A solução foi-lhes dada por um artífice que, assistindo à conversa, quis ajudar a encontrar uma saída para o problema, que agradasse a todos. Ele faria um bolo em cuja massa meteria uma fava. Reparti-lo-ia depois pelos três; e aquele que encontrasse a fava na sua parte, seria o primeiro a oferecer os presentes ao Menino Jesus.
Conhecido pelo nome de bolo-rei, feito para escolher um rei, passou a usar-se, sobretudo no Natal, recordando o nascimento do Menino e a visita dos Reis Magos. A sua côdea simboliza o ouro, o miolo e as frutas secas, a mirra; e o aroma, o incenso.
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A ciência poderá ter achado a cura para a maioria dos males da vida, mas não achou ainda remédio para o pior de todos: a apatia dos seres humanos.
(Helen Keller)
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