.
.

Combate à Solidão

Foram dias cheios de uma vida ativa, repleta de histórias para contar. Famílias mais ou menos numerosas que dão agora lugar a uma solidão disfarçada entre quatro paredes. Os idosos portugueses estão cada vez mais sozinhos.
Abandonados em hospitais, lares de terceira idade ou, muitas vezes, nas suas próprias casas, deixam para trás uma vida esquecida por todos e que, com o passar do tempo, se vai tornando cada vez mais difícil.
Nos grandes centros urbanos, a solidão na velhice é uma realidade especialmente difícil de combater. Uma solidão que, como o próprio nome indica, conduz “a um isolamento da realidade, um isolamento das relações interpessoais” e até, a um isolamento dos problemas do idoso.
Apesar de viverem o mesmo tempo, os idosos portugueses têm menos dinheiro e menos anos de vida saudável, face à média da União Europeia, implicando menores condições para aproveitar a velhice com qualidade.
Assim, é dever de todos nós promover o combate à solidão, incentivando a participação dos idosos em todos os momentos da vida familiar, assim como em atividades lúdicas, recreativas e desportivas. 

(adaptação de um texto de Cláudia Marina | Revista Montepio, Primavera 2011)

Florestas

Basta pensarmos um pouco para concluirmos que a vida do Ser Humano sempre dependeu, e dependerá, da existência das árvores e da floresta.
Aliás, e porque é o elo que liga as diferentes actividades orgânicas, é impossível imaginar a Terra sem vegetação e sem zonas verdes.
A vida começou no mar e foram as plantas que iniciaram a conquista da Terra, adaptando-se e desenvolvendo-se.
As florestas aparecem intrinsecamente ligadas aos humanos. Ainda assim, o Ser Humano terá pensado, em certo momento, que elas eram um obstáculo à implantação de aldeias e cidades e ao progresso da civilização.
Sem árvores e sem vegetação não poderíamos viver. Elas dão-nos o oxigénio para respirar e absorvem o excesso de anidrido carbónico contido na atmosfera.
A mais recente avaliação efectuada pela ONU (Organização das Nações Unidas) conclui que as florestas ainda cobrem 30% da área do nosso planeta.
Temos hoje os conhecimentos necessários para saber que é preciso conservar as florestas e como consegui-lo.
O equilíbrio ainda é possível, é necessário agir!

(adaptação de um artigo de Gil Montalverne | Revista Montepio Jovem n.º 23)

Promover a Leitura

Os números desmentem a ideia de que se lê cada vez menos: os portugueses leem mais jornais, mais revistas e mais livros. Mas promover a leitura é uma missão continuamente inacabada, alertam os especialistas.
À primeira vista, a realidade é desanimadora: Portugal está na cauda da Europa em relação à leitura. O número de pessoas que leu pelo menos um livro nos últimos 12 meses mal ultrapassa os 40% (segundo as estatísticas da Eurostat) e uma em cada três pessoas confessa nunca ler jornais.

No entanto, os especialistas determinam a leitura destes números com algum distanciamento e muita cautela. Não só o país partiu em desvantagem, pois durante o século XX viveu 40 anos sob um regime de ditadura, sob censura e com níveis de escolaridade muito baixos, como os indicadores internos permitem olhar para o futuro com otimismo, uma vez que existe uma evolução significativa e a tendência continua a ser de melhoria.
Entre 1988, quando foi realizado o primeiro inquérito sociológico sobre hábitos de leitura em Portugal e 2007, ano a que se reporta o último estudo promovido nessa área, as diferenças são positivas. E o mesmo acontece tomando como base o ano de 1995.
A melhoria dos níveis de escolaridade e socioculturais são condições importantes para melhorar os índices de leitura. Mas os estudos mostram que o contexto familiar também é muito relevante. É preciso não esquecer que há um trabalho constante a fazer com os mais novos e também que é necessário algum esforço para não perder esses leitores em momentos-chave das suas vidas (ex: entrada no mercado de trabalho; nascimento dos filhos; …)

Melhorar os níveis de escolarização cabe aos governos, promover a leitura está ao alcance de todos!


(artigo de Helena Viegas, publicado na Revista Montepio n.º 10 – série II)

Portugal | Crise faz disparar homicídios


O número de homicídios em Portugal está a crescer!
Os sinais de alarme começaram em 2012, “mas a tendência manteve-se no primeiro trimestre deste ano, com uma subida de 20%”.
Foram registados 71 homicídios no país desde o início do ano, mais oito do que entre janeiro e o final do mês de julho de 2012.
Enquanto uma fonte no Ministério Público explica que a crise provoca “uma maior conflitualidade nas casas das famílias”, um especialista de uma associação de apoio psicológico garante que Portugal vive “numa ditadura financeira e as pessoas perderam a esperança de que as coisas mudem. Os problemas financeiros acumulam-se e agravam-se. As pessoas estão desesperadas e caem na violência”.

Fonte: http://www.presseurop.eu/pt/content/news-brief/3972691-crise-faz-disparar-homicidios

Em Vida, Irmão, Em Vida

Se quiseres fazer feliz alguém a quem amas muito, diz-lho hoje, sê bom... Em vida, irmão, em vida.
Se desejas dar uma flor, não esperes que morram, manda-a hoje com amor... Em vida, irmão, em vida.
Se desejas dizer "gosto de ti" às pessoas de tua casa e ao amigo próximo ou afastado... Em vida, irmão, em vida.
Não esperes que as pessoas morram, para lhes quereres bem e fazer-lhes sentir o teu afecto... Em vida, irmão, em vida.
Tu serás muito mais feliz, se aprenderes a fazer felizes a todos os que conheceres... Em vida, irmão, em vida.
Nunca visites panteões, nem enchas túmulos de flores, enche corações de amor... Em vida, irmão, em vida.
 
(do livro “Parábolas Como Setas”, de Manuel Sánchez Monge)

O Papel dos Pais na Vida do Bebé

Regra geral, a mãe é vista como sendo o elemento mais importante na vida da criança. E este é um facto compreensível e a tendência mais evidente.
Parece que muitas vezes o pai é esquecido ou subvalorizado, como se só aparecesse na vida do bebé mais tarde e permanecesse espectador e passivo nos primeiros meses e anos de vida da criança.
Reconhecer o lugar do pai não é torná-lo idêntico ao da mãe ou em competição com esta, mas é conferir-lhe um relevo único e muito importante na vida do bebé.
Os dados mais recentes parecem indicar a complementaridade das funções, comportamentos e atitudes de pai e mãe, justificando a importância central de ambos no processo de desenvolvimento dos filhos e a sua especificidade funcional.
Pai e mãe reagem de forma diferente para com os filhos. Por exemplo, as mães sorriem mais, vocalizam mais, mas mexem menos no bebé. Os pais, mais silenciosos, com mímicas sérias, fazem o bebé espernear e brincam com ele, o que provoca, regularmente, grandes gargalhadas.
Ora estes dois estilos sensoriais diferentes provocam, alguns meses mais tarde, efeitos socializadores diferentes. A criança descobre duas figuras de vinculação dissemelhantes, mas associadas.
O facto de ambas as figuras parentais terem transmitido estilos sensoriais diferentes, possibilitará à criança, em caso de infelicidade, uma melhor ressocialização.
No desenvolvimento de uma criança é imprescindível que cada um dos três actores (pai, mãe e bebé), vista a sua pele e se sinta no seu estado, o que no caso do pai quererá dizer, que ele é pai para sempre, o que em verdade, talvez seja a mais inestimável qualidade da sua utilização.

(adaptação de um artigo da psicóloga Nélia Silva Coutinho, publicado na revista Saúde & Lar, de Maio/2009)

Conto das Três Europas

Três Europas paralelas habitam a UE, cada uma com objetivos próprios. E o orçamento único, que costumava uni-las, é cada vez mais uma fonte de divisão e, a longo prazo, vai tornar-se insustentável.
A primeira Europa, atingida pela crise da dívida, cerra fileiras para se salvar do desastre. Fá-lo com maior ou menor êxito, mas, pelo menos para já, tem-se mantido de pé.
A segunda Europa está na bancada, observando nervosamente como correm as coisas na primeira. Não se quer juntar a ela no imediato, porque não sabe se ela vai sobreviver e tal associação tem custos. Mas teme que, se a primeira Europa sobreviver, o fosso que as separa venha a aumentar muito. E que, quando finalmente se lhe juntar, não tenha peso. Uma esquizofrenia.A terceira Europa já não é realmente Europa. Vive na sombra de uma antiga glória, coberta pela pátina de um império, convencida da sua singularidade e capacidade de sobreviver sem as outras Europas. É dominada pelo egoísmo nacional. É por isso que a terceira Europa adverte a primeira e a segunda de que não hesitará em bloquear o seu avanço, se tiver que defender os seus próprios interesses. Porque eles estão acima de tudo o resto.
Os países da primeira Europa estão a tentar avançar na integração e coordenação das suas políticas económicas, ficando o controlo dos países mais fortes sobre os mais fracos cada vez mais apertado. A Europa n.º 2 está a tentar controlar o que está a acontecer na Europa n.º 1, porque estamos todos no mesmo comboio. A Europa n.º 3 está contente por se ter dado a divisão, porque há muito que tinha vontade de seguir o seu próprio caminho.
Não é difícil adivinhar quem é quem nesta história. A primeira é a Europa da Zona Euro – 17 países que adotaram uma moeda comum, para o melhor e para o pior. A segunda Europa são os países fora da Zona Euro: a Escandinávia e os novos Estados-membros, nomeadamente a Polónia. A maioria deles, com a exceção da Dinamarca, não têm nem vão ter opção e acabarão por aderir ao euro – mas ninguém sabe quando isso pode acontecer. A terceira Europa é a Grã-Bretanha. Grande apenas no nome, duramente atingida pela crise, a lidar com o separatismo escocês, cada vez mais marginalizada na UE.
O orçamento comunitário uniu as três Europas até agora, mas está a começar a dividi-las. Berlim propõe um orçamento separado para a Zona Euro, isto é, a Europa n.º 1.
A Alemanha paga, portanto exige!
Assim, um orçamento único para as três Europas é indefensável.

(artigo de Jacek Pawlicki, publicado a 11 outubro 2012 na Gazeta Wyborcza - Varsóvia)

Os europeus são demasiado diferentes para se entenderem

Mais que as diferenças entre os desempenhos económicos dos países da UE, são os fossos culturais entre europeus que representam o principal obstáculo à criação de uma comunidade verdadeiramente homogénea. Não espanta, pois, que seja tão difícil construí-la. Muitos tentaram unificar a Europa. Todos deram com a cabeça na parede: Átila, Carlos Magno, Napoleão, Hitler. A mais recente tentativa é a da União Europeia. Que não avança a golpes de espada, já que a Europa, depois de Hitler, se tornou um continente pacifista, adotando antes meios inofensivos, como a boa vontade, instituições comuns, leis e regulamentos. O euro foi a mais recente – e provavelmente a mais ousada – das iniciativas em prol de uma Europa unificada. A origem do moderno projeto europeu é política, ainda que o foco tenha sido colocado, desde o início, sobre a economia. A economia desempenhou, indubitavelmente, um papel decisivo para afastar a guerra da Europa e, nesse sentido, a cooperação europeia tem sido um enorme êxito, desde 1945. Mas a cooperação económica não basta para o que precisamos de construir hoje. A crise do euro veio ensinar-nos que essa cooperação tem algumas limitações, que são sobretudo históricas e culturais. Porque a Europa é, sem dúvida, a região mais complexa do mundo. Num espaço relativamente pequeno, mais de 300 milhões de pessoas tentam formar uma união, quando não é necessário afastar-se muito para deixar de entender o que diz o vizinho, para encontrar pessoas que comem e bebem coisas desconhecidas, que cantam outras canções, que celebram outros heróis, que têm outra relação com o tempo, outros sonhos e outros fantasmas. É provável que sejam principalmente as nossas diferenças culturais – e não políticas ou económicas – a fazer com que a história europeia esteja repleta de hostilidade e de violência, a começar pelas duas mais terríveis guerras que a humanidade já conheceu, as quais não foram, afinal, mais do que guerras civis europeias. No entanto, tudo isso parece ter sido esquecido ou ignorado. Para não dizer desconhecido. De tal modo que o discurso europeu que nos impingem quotidianamente – a bandeira, Beethoven, a Eurovisão, etc. – pouco tem a ver com a realidade europeia. É um mero produto de propaganda, de um projeto que não quer ouvir falar de diferenças culturais ou mentais, que são, contudo, nitidamente mais profundas do que as diferenças materiais ou financeiras. Na realidade, foi preciso esperar pela crise europeia para abrirmos os olhos para o fosso que separa a retórica da realidade. Para nosso espanto, a crise revelou-nos pessoas que nunca pagaram impostos, que consideravam que os outros tinham obrigação de pagar as dívidas por elas e que acusavam de despotismo os que lhe estendiam a mão. Não sabíamos da existência de tais europeus e ficamos incrédulos. No entanto, essa é a realidade e vem de há muito. É assim a nossa Europa. E repare-se que o Norte não é menos estranho que o Sul, e o Leste não o é menos que o Ocidente, e vice-versa. É tudo uma questão de ponto de vista. A Europa não é nem mais nem menos do que uma colmeia extremamente frágil, composta por especificidades culturais, históricas e mentais. Nenhum europeu se parece verdadeiramente com os outros. E, no entanto, preferimos encarar essa Europa não como uma colmeia, mas como um frasco de mel, pronto a consumir.
 
(artigo do jornalista Richard Swartz, publicado no jornal sueco "Dagens Nyheter" de 22-08-2012)

.
As imagens que ilustram os textos publicados neste blogue são seleccionadas, aleatoriamente, através do motor de busca Google. Agradecemos aos respectivos autores o enriquecimento visual que os seus trabalhos proporcionam e, se não divulgamos a sua origem é porque, na maioria dos casos, a mesma é, para nós, desconhecida. Para salvaguarda dos direitos de autor, estamos à inteira disposição dos eventuais lesados, para revelar a identidade do criador das fotos e/ou desenhos publicados. Observador@
.