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As Quatro Velas


Eram quatro velas e todas se encontravam acesas, mas não foi por muito tempo.
A primeira era a vela da PAZ. Os povos, os governantes, os políticos, as famílias, as empresas, etc. todos se apostam a combater pela Paz. E nós vemos o que se passa pelo mundo. Aos Tratados de Paz seguem-se automaticamente ataques e mortandades.
Nas Famílias é o que vemos - a Paz não reina e as autoridades encarregam-se de alimentar a desunião com a aprovação da Lei do divórcio e não só. O laxismo dos costumes, permite uma liberdade (leia-se libertinagem) que faz com que a estabilidade do casamento seja cada vez mais frágil - à primeira discussão, juntam os trapinhos e partem para outra. E o bem-estar dos filhos, os tais que a Lei do divórcio diz respeitar? Esses, quando ouvidos, são contra a separação dos pais. Mas a Lei do divórcio diz que é para guardar os "superiores interesses das crianças".
A segunda vela é a da . A Fé anda muito arredada dos homens. Não têm Fé, mas têm superstições aos montes. Cartas, sinas, astrologia, tudo serve para ler o futuro. Mas essa leitura não dá a ninguém a tranquilidade que dá a Fé num Deus que é Pai e vela pelos seus filhos - nós os que vivemos nesta terra.
A terceira vela é do AMOR. Como anda mal tratada esta palavra! Chamam amor a tudo que se relaciona com o sexo, esquecendo que esse aspecto é importante, mas secundário. O Amor, aquele que se pode escrever com letra maiúscula, apoia-se na doação e na entrega desinteressada e não no egoísmo refinado. Em primeiro lugar o Amor de Deus e a Deus, que nos criou e não só - criou tudo que nos rodeia para nosso uso, melhor para o nosso bom uso. O Amor da Família e na Família - ao pensar nele ressalta o Amor entre os esposos e o Amor dos pais para com os filhos e destes para com os pais. E não esqueçamos que na Família não podemos ficar por aqui - as gerações ascendentes e laterais devem ser contempladas: avós, tios, primos, etc.
Ora quando, das quatro velas acesas, três se apagaram, entrou uma criança que ficou triste por ver só uma vela acesa. Então a quarta vela falou-lhe: "Não fiques triste por veres as velas apagadas. Enquanto eu estiver acesa nada está perdido. Eu sou a vela da ESPERANÇA e essa não se apaga nunca se os homens souberem apoiar-se em quem os pode ajudar e esse Alguém é Deus. É costume dizer que a Esperança é a última coisa a morrer, mas eu digo-te - estou aqui e não só não vou morrer, como vou acender de novo as outras velas, porque uma vela não perde o fulgor da sua chama, quando acende outras velas, assim como uma pessoa que dá aos outros Paz, Fé e Amor, não fica mais pobre".
Neste momento o rosto, até aí triste, da criança, animou-se e um grande sorriso manifestou a sua PAZ, a sua FÉ, o seu AMOR e a sua ESPERANÇA.
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(texto de Maria Fernanda Barroca, publicado no Diário de Coimbra de 10.01.2010)

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