Avançar para o conteúdo principal

Civilização das Aparências

No mundo, muita coisa muda... outras, nem por isso!!
Temos de começar a perguntar-nos se o que anda pelas ruas são Seres Humanos vestidos de panos ou panos vestidos de Seres Humanos! Porque... a santa aparência é, ainda, a mais venerada, e, para cem por cento das pessoas conta muito mais o que podem pensar as outras noventa e nove do que o que se leva armazenado no interior!
O grave é vivermos muito mais dependentes da opinião dos demais do que da própria vida!
São muitos os que pensam e fazem como pensam e fazem os outros, ou como os outros querem que eles pensem e façam... E é assim que, não sabendo viver, com originalidade, libertos das imposições do costume, das influências e condicionalismos, aparentamos somente fazê-lo!
Se observarmos a nossa vida e olharmos também à nossa volta, veremos quantos esforços se fazem para se ser querido e aceite pelos outros. Certas cortesias, a excessiva amabilidade, a adulação, os elogios exagerados ou falsos... são, a maioria das vezes, um esforço constante para ser tido como pessoa amável, educada e ser louvado e retribuído com as mesmas lisonjas com que se gratificou os outros. Se todos aqueles gestos fossem naturais... Mas, parece que este esforçar-se por ser querido é um tácito reconhecimento de que nós não temos valor por nós mesmos! Contudo a aceitação dos outros é secundária e variável!!
E o que enriquece o Ser Humano não são as futilidades... a exposição barata do próprio ser... a superfluidade da vida alheia...
Todos nós somos importantes porque, sim, temos valor, simplesmente! Tão simples que é ser o/a próprio/a, e queremos ser outro/a!... Tão simples que é ser, e queremos aparentar! E mais vale que os que de nós gostam, gostem pelo que somos e não pelo que aparentamos!
Se nos déssemos conta de que somos muito mais e melhor do que tudo o que podemos pensar, que necessidade teríamos de aparentar alguma coisa?!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tostões vrs Milhões

Nos últimos dias temos sido bombardeados, pela comunicação social, com a notícia da contratação de um futebolista, por sinal português, por um grande clube espanhol. O dito desportista vai auferir qualquer coisa como 750.000 euros mensais, ou seja, o equivalente a 55 salários mínimos por dia! Exagero?! Injustiça?! Egoísmo?! Ganância?!... Não vamos dirigir a questão nesse sentido. Sabemos, isso sim, que os menos afortunados, que dia-a-dia contam os parcos cêntimos que lhes sobram na carteira, já só desejam que não apertem mais a corda que lhes sufoca a sobrevivência e, dessa forma, os deixem respirar e resistir nesta “selva sem lei”. No outro extremo, os novos-ricos dão-se a luxos, esbanjamentos e, o mais estranho para nós, ainda conseguem a proeza de serem idolatrados e quase elevados à categoria de deuses. Uns a tentar manter a cabeça à tona de água, outros até a dormir enriquecem. Numa sociedade marcadamente materialista e consumista, as assimetrias sociais são cada vez mais notórias...

E-mail enviado ao Primeiro Ministro José Sócrates [07-02-11], por André Moreira

Excelentíssimo Primeiro Ministro, O meu nome é André Moreira, mas poderia ser João, Maria, Ricardo ou Ana. Sei que provavelmente nem será o senhor a ler este email, provavelmente até ninguém o lerá, no entanto sempre me ensinaram a não desistir. Escrevo-lhe porque nesta tarde de dia sete de Fevereiro deveria estar a estudar matemática (tenho teste amanhã), mas não estou. Não estou porque o senhor me obrigou. Obrigou-me a questionar a razão pela qual estudo. Obrigou-me a esta submissão filosófica. Perceberá tudo mais à frente. Porventura o telefone está a tocar, porventura tem uma grande reunião daqui a cinco minutos, porventura este email apenas conheceu o lixo da sua caixa de entrada… Sou estudante como já deve ter percebido, tenho 16 anos e frequento o 11º ano numa escola pública da localidade de Paredes, uma escola igual a muitas outras. Igual em todos os defeitos que o senhor permitiu que se estruturassem, dentro de um ensino que deveria ser de todos e para todos. No entanto a...

A mais curta resposta é AGIR...

Agora sim, damos a volta a isto! Agora sim, há pernas para andar! Agora sim, eu sinto o optimismo! Vamos em frente, ninguém nos vai parar! Agora não, que é hora do almoço... Agora não, que é hora do jantar... Agora não, que eu acho que não posso.. . Amanhã vou trabalhar... Agora sim, temos a força toda! Agora sim, há fé neste querer! Agora sim, só vejo gente boa! Vamos em frente e havemos de vencer! Agora não, que me dói a barriga... Agora não, dizem que vai chover... Agora não, que joga o Benfica... e eu tenho mais que fazer... Agora sim, cantamos com vontade! Agora sim, eu sinto a união! Agora sim, já ouço a liberdade! Vamos em frente, e é esta a direcção! Agora não, que falta um impresso... Agora não, que o meu pai não quer... Agora não, que há engarrafamentos... Vão sem mim, que eu vou lá ter...