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Tema de Fundo


Chegados ao 3º milénio, somos capazes de identificar alguns avanços que nos colocam a anos-luz da realidade dos nosso antepassados.
Aliás, basta pensarmos na evolução ocorrida contemporaneamente à nossa existência, para termos motivos de esperança e regozijo.
Enquanto há décadas atrás as mulheres continuavam a ser consideradas como menores de idade, equiparáveis às crianças, sendo-lhes, portanto, "impossível" ou, pelo menos, "inadequado" o acesso à educação e à participação na vida pública, hoje, seriam multidões aqueles que teriam vergonha de reiterar que elas sejam "filhas de um deus menor".
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Sabemos, no entanto, que continuam a existir muitas formas de exploração e de subordinação das mulheres, umas mais gritantes (basta pensar-se no tráfico de mulheres, nas violações em contexto de guerra ou de paz, na violência familiar, nas formas de submissão das mulheres, justificadas em nome da religião), outras mais subtis, que podem passar, inclusivamente, pela aplicação na actualidade do adágio de Balzac: "exaltar a mulher para melhor a submeter".
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Não há questão das mulheres que não seja uma questão de toda a humanidade: enquanto grande parte da população do planeta azul passar pela vida num mero registo de sobrevivência, "não há homem nem mulher" no grito pela necessidade, anseio e urgência de justiça. Enquanto grande parte dessa humanidade faminta for constituída por mulheres e crianças, esse problema fere de morte o futuro de todos. Enquanto a guerra afectar mulheres e crianças das formas cruéis, hediondas, intencionais ou "colaterais" que conhecemos, o futuro da humanidade está ameaçado na sua própria "humanidade", quer dizer naquilo que distingue os seres humanos como tais: a sua capacidade de compaixão e de verbalização da paixão de viver com os outros.
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(Adaptação do texto Mulheres na Passagem do Milénio, de Teresa Martinho Toldy)
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1 observações:

  1. Anónimo disse...

    Maravilhoso este texto... aliás, como todos os outros, conforme é hábito...

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