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Esta é a nossa casa

Não é uma casa erguida tijolo a tijolo. Assemelha-se mais a um ninho fabricado com fibras extraídas das entranhas: esperança, negação, ternura, compreensão.
Ao logo do caminho calcorreado nesta nossa peregrinação, uma e outra vez brilharam os olhos do lobo das estepes, que queria esfacelar a unidade; muitas vezes, também, a tentação da fuga assomou à nossa beira: "Vou-me embora, esta casa não é minha". Mas a tentação foi exorcizada.
Não foi fácil a jornada. Nas tardes gélidas de inverno, quantas vezes se nos congelou o pensamento, ao duvidarmos se nos teríamos enganado no caminho! Quantas vezes nos interrogámos: Teremos feito a opção correta? Não nos conhecíamos. Serás, de facto, tu para mim e eu para ti? Será esta, de verdade, a nossa casa? Mas uma  e outra vez conseguimos afugentar os fantasmas e retomar o caminho, empreendendo de novo a marcha.
Com gozos singelos, alegrias caladas, podando ramos, limando arestas, morrendo um pouco, dialogando com doçura..., a casa foi-se erguendo pedra a pedra, dia a dia, a golpes de silêncio e paciência, e assim chegámos a alturas muito elevadas.
A casa é um sonho alcançado, uma atmosfera impregnada de gozo, banhada de serenidade, ensopada em confiança, que nos acolhe e envolve os dois com os seus braços, fazendo de dois corações um só coração.
Esta é a nossa casa.

(texto do livro O Matrimónio Feliz de Ignacio Larrañaga)

Saber Envelhecer


Em Portugal, a população com mais de 85 anos quadruplicou nas últimas quatro décadas.
A esperança de média de vida dos portugueses passou de 35 anos, no início do século XX, para os atuais 85 para as mulheres e 79 para os homens. Contudo, os estudos mostram que viver mais não é viver melhor, já que quanto mais velhos são os indivíduos mais isolados se encontram.
É nas grandes cidades, onde mais se sente o envelhecimento, que o risco de isolamento é maior. Neste capítulo, Portugal segue a tendência mundial de envelhecimento.
A ONU prevê que, a manterem-se as atuais taxas de fertilidade, a população mundial deverá estabilizar por volta de 2100. Na maioria dos países, Portugal incluído, o aumento da esperança de vida resultou não apenas da melhoria das condições económicas e sanitárias, mas também do desenvolvimento da indústria do medicamento.
O aumento exponencial do número de doentes crónicos, bem como da percentagem de população idosa, faz disparar as despesas com a saúde. Isto, em conjunto com taxas de natalidade progressivamente mais baixas, põe em causa a viabilidade do financiamento dos atuais sistemas de saúde.
Em termos sociais ser velho não é coisa boa, tanto assim que todas as pessoas empurram a idade da velhice em função do seu próprio envelhecimento, em suma, “velhos são os outros”. Do ponto de vista simbólico, em Portugal, a velhice é vista como doença, solidão, abandono, desvalorização… Poucos ou nenhuns atributos positivos lhe são associados pela maioria dos próprios idosos” – refere Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa.
No entanto, nem tudo é negativo. Com o aumento da longevidade, muitas pessoas de idade prestam agora mais apoio aos filhos e, sobretudo, aos netos, o que, em princípio, é bom para ambos.
A diminuição do número de pessoas em idade produtiva e a necessidade de financiar um sistema que sustente um cada vez maior número de idoso poderá levar, a médio prazo, a um adiamento da idade da reforma.
Na opinião de Jorge Mineiro, diretor clínico do Hospital CUF-Descobertas, “saber envelhecer com saúde é, hoje, um grande chavão, mas penso que é uma arte muito difícil de conseguir. Podemos viver mais, mas muitas vezes vivemos com mais problemas.”
As tecnologias da informação têm um papel determinante numa sociedade envelhecida, ajudando a combater o isolamento e a estabelecer pontes entre gerações.
Em suma, vamos viver mais tempo mas depende de nós viver da melhor forma. A tecnologia e a investigação estão do nosso lado mas ainda são os genes que mandam.


(adaptação do artigo “Saber Envelhecer” de Susana Torrão, publicado na revista Montepio 03/2011)  

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