.
.

O Papel dos Pais na Vida do Bebé

Regra geral, a mãe é vista como sendo o elemento mais importante na vida da criança. E este é um facto compreensível e a tendência mais evidente.
Parece que muitas vezes o pai é esquecido ou subvalorizado, como se só aparecesse na vida do bebé mais tarde e permanecesse espectador e passivo nos primeiros meses e anos de vida da criança.
Reconhecer o lugar do pai não é torná-lo idêntico ao da mãe ou em competição com esta, mas é conferir-lhe um relevo único e muito importante na vida do bebé.
Os dados mais recentes parecem indicar a complementaridade das funções, comportamentos e atitudes de pai e mãe, justificando a importância central de ambos no processo de desenvolvimento dos filhos e a sua especificidade funcional.
Pai e mãe reagem de forma diferente para com os filhos. Por exemplo, as mães sorriem mais, vocalizam mais, mas mexem menos no bebé. Os pais, mais silenciosos, com mímicas sérias, fazem o bebé espernear e brincam com ele, o que provoca, regularmente, grandes gargalhadas.
Ora estes dois estilos sensoriais diferentes provocam, alguns meses mais tarde, efeitos socializadores diferentes. A criança descobre duas figuras de vinculação dissemelhantes, mas associadas.
O facto de ambas as figuras parentais terem transmitido estilos sensoriais diferentes, possibilitará à criança, em caso de infelicidade, uma melhor ressocialização.
No desenvolvimento de uma criança é imprescindível que cada um dos três actores (pai, mãe e bebé), vista a sua pele e se sinta no seu estado, o que no caso do pai quererá dizer, que ele é pai para sempre, o que em verdade, talvez seja a mais inestimável qualidade da sua utilização.

(adaptação de um artigo da psicóloga Nélia Silva Coutinho, publicado na revista Saúde & Lar, de Maio/2009)

Conto das Três Europas

Três Europas paralelas habitam a UE, cada uma com objetivos próprios. E o orçamento único, que costumava uni-las, é cada vez mais uma fonte de divisão e, a longo prazo, vai tornar-se insustentável.
A primeira Europa, atingida pela crise da dívida, cerra fileiras para se salvar do desastre. Fá-lo com maior ou menor êxito, mas, pelo menos para já, tem-se mantido de pé.
A segunda Europa está na bancada, observando nervosamente como correm as coisas na primeira. Não se quer juntar a ela no imediato, porque não sabe se ela vai sobreviver e tal associação tem custos. Mas teme que, se a primeira Europa sobreviver, o fosso que as separa venha a aumentar muito. E que, quando finalmente se lhe juntar, não tenha peso. Uma esquizofrenia.A terceira Europa já não é realmente Europa. Vive na sombra de uma antiga glória, coberta pela pátina de um império, convencida da sua singularidade e capacidade de sobreviver sem as outras Europas. É dominada pelo egoísmo nacional. É por isso que a terceira Europa adverte a primeira e a segunda de que não hesitará em bloquear o seu avanço, se tiver que defender os seus próprios interesses. Porque eles estão acima de tudo o resto.
Os países da primeira Europa estão a tentar avançar na integração e coordenação das suas políticas económicas, ficando o controlo dos países mais fortes sobre os mais fracos cada vez mais apertado. A Europa n.º 2 está a tentar controlar o que está a acontecer na Europa n.º 1, porque estamos todos no mesmo comboio. A Europa n.º 3 está contente por se ter dado a divisão, porque há muito que tinha vontade de seguir o seu próprio caminho.
Não é difícil adivinhar quem é quem nesta história. A primeira é a Europa da Zona Euro – 17 países que adotaram uma moeda comum, para o melhor e para o pior. A segunda Europa são os países fora da Zona Euro: a Escandinávia e os novos Estados-membros, nomeadamente a Polónia. A maioria deles, com a exceção da Dinamarca, não têm nem vão ter opção e acabarão por aderir ao euro – mas ninguém sabe quando isso pode acontecer. A terceira Europa é a Grã-Bretanha. Grande apenas no nome, duramente atingida pela crise, a lidar com o separatismo escocês, cada vez mais marginalizada na UE.
O orçamento comunitário uniu as três Europas até agora, mas está a começar a dividi-las. Berlim propõe um orçamento separado para a Zona Euro, isto é, a Europa n.º 1.
A Alemanha paga, portanto exige!
Assim, um orçamento único para as três Europas é indefensável.

(artigo de Jacek Pawlicki, publicado a 11 outubro 2012 na Gazeta Wyborcza - Varsóvia)

.
As imagens que ilustram os textos publicados neste blogue são seleccionadas, aleatoriamente, através do motor de busca Google. Agradecemos aos respectivos autores o enriquecimento visual que os seus trabalhos proporcionam e, se não divulgamos a sua origem é porque, na maioria dos casos, a mesma é, para nós, desconhecida. Para salvaguarda dos direitos de autor, estamos à inteira disposição dos eventuais lesados, para revelar a identidade do criador das fotos e/ou desenhos publicados. Observador@
.