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O Vendedor de jornais


«Como sempre, como em todos os dias, fui comprar o jornal num posto de venda, próximo da minha casa.
Naquele dia, acompanhava-me um amigo.
Como sempre, saudei o vendedor com um "Bom dia!", a que ele, como sempre, não respondeu.
Pedi o jornal e, como sempre, com cara de poucos amigos, deu-mo displicentemente.
Disse-lhe "obrigado", como sempre. E ele, como sempre, nem olhou para mim.
O meu amigo, no regresso, disse-me:

- Que senhor tão antipático!
- Sim, - respondi - é sempre assim!
- Como? - disse ele - Trata-te sempre assim e tu ainda vens cá, e lhe agradeces?!
- Sim, - respondi-lhe - eu decido o que faço! Não quero deixar as minhas decisões na sua antipatia ou no que ele faça ou deixe de fazer. Além disso, quem sabe porque é que ele tem esse feitio? Deve ser muito infeliz por ser assim. Como vou fazê-lo ainda mais, se não vier cá comprar-lhe o jornal e não o cumprimentar?
- Seja como quiseres, - disse-me o meu amigo - mas eu iria comprá-lo a outro lado!
- Essa é uma atitude muito automática de reacção - disse-lhe eu. Estamos acostumados a responder aos estímulos automática e reactivamente.
A um bom estímulo reagimos com bondade e amabilidade... e, quando o estímulo é aborrecido, respondemos como se fossemos uma máquina mecânica. Parece que estamos programados como robôs. Conforme o botão em que se carrega, assim é a nossa resposta.
Dessa forma, não somos nós que governamos e decidimos a nossa vida e os nossos actos, mas os outros.
Nas vinte e quatro horas do dia, são muito poucos os momentos em que somos realmente livres. Quase sempre agimos reagindo automaticamente às circunstâncias do momento».

(Autor: Dario Lostado; Fonte: "Viver como Pessoa")

Cão Guia

E Depois do Adeus...


Hoje partilhamos convosco um pequeno excerto do livro "Daqui a Nada", do jornalista da SIC Rodrigo Guedes de Carvalho.

"(...) quando soube que tinhas morrido, pensei que não iria sofrer. Pensei que estavas já demasiado ausente, há muito tempo, pensei que sempre tinhas estado morto. E agora, lembrando o passeio que dei hoje à tarde pelo meio das campas, penso em ti. Penso que foste estúpido, penso que fui estúpida, penso que adiámos demais, talvez por pensar que éramos eternos, e acabamos assim - já reparaste? - por dar razão aos imbecis dos ditados populares que dizem que não se deve deixar para amanhã. Penso em ti e afinal fazes-me falta. Não sei se estas coisas se costumam dizer aos mortos, mas dorme bem. Descansa. Se quiseres, eu peço às nuvens para passarem sem fazer barulho. Peço às árvores para te darem sombra. E se te apetecer falar comigo, não o faças. Porque já não o podes fazer."

Vale a pena pensar nisto...
Nem sempre o SILÊNCIO é de Ouro!!

Mão Estendida...


Muitos julgam que só os feitos excepcionais ou os actos de heroísmo podem fazer um mundo melhor e mais empolgante. Porém é no conjunto dos pequenos esforços, dos pequenos actos de bondade e de solidariedade que se concentra a nossa contribuição para o bem-estar do próximo e até de nós mesmos! É através destes Pequenos Grandes Gestos que se constrói um mundo mais promissor!
Todos os dias nos surgem oportunidades de amenizar a vida de alguém, através de uma mão estendida, uma palavra de estímulo, um sorriso... Podemos ser uma fonte de força para os que nos cercam. A longo prazo, esses pequenos actos de amor podem ter mais significado do que um feito singular.
Precisamos de estar relacionados com pessoas, porque necessitamos delas... porque nos faz falta a sua ajuda, a sua presença, o seu carinho, a sua atenção!... Desculpem dizer-vos, mas, infelizmente, muitas vezes procura-se a relação só por um benefício egoísta! Procura-se quem é útil e pode ajudar em qualquer momento... Se não pode beneficiar, já não interessa!!
A relação pessoal pode ser algo mais do que uma exploração do que o outro nos pode dar... e, estabelece-se, assim, um intercâmbio de bens! Procura-se com este intercâmbio de bens, de sentimentos, de ideias,... enriquecer-se mutuamente e, ao mesmo tempo, procura-se evoluir. É um passo mais inteligente e algo mais humano!

"Deus poderia ter criado marionetas num mundo perfeito, mas, afinal, todos preferem ter o direito de escolha, correr riscos, inerentes à liberdade da acção individual. A nossa responsabilidade é lutar por um mundo onde a maioria das escolhas se incline pelo bem."
(Joel Oseran)

Pois... mas mais importante do que terminar de reflectir, escrever e/ou falar tudo isto... é mesmo, simplesmente actuar!!

É hora de dizer... BASTA!


Ao folhear o Diário de Notícias de 18.06.2009, deparámo-nos com a seguinte notícia:

«As agressões no seio familiar, de filhos contra os pais, aumentaram. Só no ano passado, a Associação de Apoio à Vítima (APAV) registou 501 novos casos, o dobro em relação a 2004.
Segundo o presidente João Lázaro, está já a ser preparado um relatório dedicado a esta matéria e as próprias equipas dos centros de apoio estão a receber formação específica e a apostar na prevenção. O responsável disse ontem ao DN que, em 2004, registaram-se 299 casos (242 contra as mães). As mulheres também foram as principais vítimas no ano seguinte, com registo de 252 casos (214 dos quais contra elas). Estas agressões continuaram a aumentar em 2006, com 275 ataques, e em 2007 quase duplicaram para 594. De acordo com a psicóloga da APAV, Helena Sampaio, a maior parte das vítimas são idosas agredidas pelos filhos - alguns dependentes do álcool e da droga.
Mas já há pais que são vítimas dos filhos adolescentes. "As camadas mais jovens têm manifestado comportamentos violentos, às vezes por carências afectivas próprias da nossa sociedade actual", diz a psicóloga».

Se todo e qualquer tipo de violência é um acto sempre condenável, o que dizer quando é exercido por filhos contra os pais?

Pegando nas últimas palavras de Helena Sampaio, o que mais impressiona em todo este panorama do nosso mundo "civilizado", é que parece que nos acostumámos a esta mesma realidade, a viver rodeados por essas CARÊNCIAS efectivas... Perante o que nos incomoda e desagrada, por vezes é mais fácil encontrarmos desculpas para deixar de fazer o que deve ser feito!

É importante que tomemos consciência deste tão grave fenómeno e que o mesmo seja denunciado. Não hesite em fazê-lo!

De pequenino se torce... a Poupança!


"A educação e a formação são o ouro, as minas, de um povo. Um povo que cuida da formação dos seus jovens é um povo que vai mais longe. É o que há de mais rico e importante."
(Maria Cavaco Silva)

«A primeira-dama não tem dúvidas de que este é um tempo que coloca grandes desafios aos jovens e que a aceleração que marca o mundo actual levou a um acentuar do fosso geracional: "Os jovens encontram sempre um mundo diferente daquele que encontraram os pais e os avós. Quando olhávamos para trás ainda encontrávamos algumas referências, coisas que permaneciam iguais. Hoje, quando os jovens olham para os pais e avós, já têm poucas coisas que continuem iguais".
Na opinião de Maria Cavaco Silva "existe uma noção falsa, sobretudo junto dos mais pequenos que têm todas as necessidades básicas resolvidas, da facilidade do dinheiro". O que leva a que as gerações mais novas tenham mais dificuldade em lidar com situações de crise. "Uma das viragens que terá que acontecer, é que os mais novos vão ter que se preparar para lidar com um mundo que é finito, quando talvez tenham sido educados para um mundo que se acreditava infinito.
Para que a situação se inverta é essencial que a noção de poupança seja transmitida às crianças desde cedo. Deve ser passada. Tem que ser passada!"».

(Excerto de uma entrevista a Maria Cavaco Silva, por Susana Torrão
; in Revista do Montepio, Nº62)

Vida Feliz...


A equipa do psiquiatra George Valliant da Universidade norte-americana de Harvard, divulgou recentemente as conclusões de um estudo de décadas, sobre os factores que levam a uma velhice em boa saúde física e mental:

- Capacidade de adaptação psicológica a circunstâncias adversas
- Bom nível de educação
- Uma relação afectiva estável
- Não fumar
- Não abusar do álcool
- Algum exercício físico
- Peso dentro dos limites

Sigam estas dicas e, como diria Raul Solnado, "façam o favor de ser felizes"!

Sou o Amigo de Sempre!!


«Fiel, o cachorro do meu vizinho caçador, voltou coxo de uma caçada: um terrível engano ia-lhe destroçando a pata dianteira direita. E o pobre animal, que noutros dias tenho de acalmar, para que não me lambuze a cara com a língua, olha-me hoje com olhos tristes, encostado a um canto, como se quisesse explicar-me a sua tragédia com a patita levantada. Mas, mal chegámos a casa e se abriu a porta do carro, foi como se de repente esquecesse todo o seu problema. Fiel sai a correr em direcção às crianças suas amigas, com a pata direita levantada, apoiando-se, com estranhas posições, nas outras três. É como se fizesse de palhaço e pusesse no seu coxeio um pouco de farsa e brincadeira. E corre, salta, sem tocar nunca o chão com a pata ferida. Dir-se-ia que nunca teve senão três patas.
Observo-o com espanto e admiração... e penso para comigo... será apenas mérito dos animais que nos ajudam a humanizar as nossas vidas apressadas, tensas, irritadas, ansiosas e cada vez menos disponíveis e solidárias?
Cães, gatos e outros, foram e são mestres dos afectos que não reclamam contrapartidas.»

(Autor: José Jorge Letria; Fonte: "Amados Cães")


Gostaríamos neste momento de sublinhar o que exemplarmente foi dito pelo filósofo Peter Singer, no seu livro, "Libertação Animal":
"Não podemos aplicar standards distintos ao sofrimento dos animais humanos e não humanos. A moral é universal. Deveríamos entender o sofrimento alheio como entendemos o nosso, e o dos animais como o dos nossos congéneres."

Sem Perda de Tempo...


Lemos algures...

"Tenho ganas de descer à esquina, estender a mão, e mendigar aos que passam: Dêem-me, por favor, um quarto de hora!"
(Kazantzaki)

Diariamente, quantos quartos de hora perdemos nós em ninharias?!

Estaremos nós, por vezes, como que anestesiados?!

Necessitamos mesmo de mendigar tempo aos outros?!

Quem nos responde??

Tostões vrs Milhões


Nos últimos dias temos sido bombardeados, pela comunicação social, com a notícia da contratação de um futebolista, por sinal português, por um grande clube espanhol.
O dito desportista vai auferir qualquer coisa como 750.000 euros mensais, ou seja, o equivalente a 55 salários mínimos por dia!
Exagero?! Injustiça?! Egoísmo?! Ganância?!...
Não vamos dirigir a questão nesse sentido.
Sabemos, isso sim, que os menos afortunados, que dia-a-dia contam os parcos cêntimos que lhes sobram na carteira, já só desejam que não apertem mais a corda que lhes sufoca a sobrevivência e, dessa forma, os deixem respirar e resistir nesta “selva sem lei”.
No outro extremo, os novos-ricos dão-se a luxos, esbanjamentos e, o mais estranho para nós, ainda conseguem a proeza de serem idolatrados e quase elevados à categoria de deuses.
Uns a tentar manter a cabeça à tona de água, outros até a dormir enriquecem.
Numa sociedade marcadamente materialista e consumista, as assimetrias sociais são cada vez mais notórias.
Pobres em maior quantidade e com mais dificuldades, ricos a usufruir de maiores benesses e proteccionismo estatal.
Quem travará a marcha desgovernada desta locomotiva?

Um Exemplo


07 de Junho de 2008: o Grupo Pão de Açúcar inaugurou o primeiro “supermercado verde”, na cidade de Indaiatuba, no Estado de São Paulo, Brasil.
Reconhecido pelo seu pioneirismo na área de responsabilidade sócio-ambiental, conseguiu reunir, num único espaço, práticas de sustentabilidade e avançou com uma série de inovações de estímulo ao consumo consciente.
Informação, instalações, produtos e completos processos de reciclagem e aproveitamento de resíduos, foram algumas das ferramentas escolhidas para envolver fornecedores e consumidores acerca de conceitos e práticas de consumo sustentável.
Através de muita informação espalhada no interior e exterior deste espaço comercial, os clientes são esclarecidos e incentivados para a mudança e melhoria dos seus comportamentos de consumo.
Os preceitos que balizaram a implantação desta loja são simples, eficazes e deveriam, cada vez mais, ser utilizados por todos nós: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Uma História Real…


«Na véspera tinha-me telefonado um amigo meu para saber se eu estaria livre na manhã seguinte. Era domingo, e disse-lhe que sim.
“Poderias então fazer-me um favor?”, perguntou. Não a ele pessoalmente, esclareceu, mas a um amigo que precisava que alguém lhe explicasse a basílica de São Pedro. Respondi que sim, recordando a minha experiência enquanto cicerone dos peregrinos.
“Mas – insistiu o meu amigo, com uma voz carregada de mistério – este é um turista todo especial!” “Alguma personalidade?”, perguntei. “Não, é um cego”, disse a voz do outro lado do telefone. Fez uma pausa – a aproveitar o meu espanto –, e logo acrescentou: “Quer ‘ver’ a basílica e, eu pensei que não a veria mal através dos teus olhos!”
Senti-me nervoso. Seria eu capaz de fazer “ver” a basílica a um cego? Como explicaria naves e colunas, cúpulas e retábulos?
A surpresa começou quando Lourenço Tapia – assim se chamava – desceu do autocarro que parava exactamente a duzentos metros da praça vaticana. Teria uns vinte e cinco anos… e, trazia estampadas no rosto a alegria e a decisão de simplesmente viver a vida. Eu, tinha começado a tremer, asseguro-vos.
Explicou-me que era cego desde os onze anos, que, ao perder a vista, viveu muito tempo uma terrível agonia, até descobrir que tinha dentro um coração, e que lhe bastava isso para ser feliz. Desde então tinha decidido não se fechar e viver como se os olhos continuassem a iluminá-lo, sem se enroscar no seu próprio medo.
Por vezes, explicou, ao sair sozinho pelas ruas, perdia-se e, acabava no lugar oposto ao que procurava. Isto metia-lhe medo, mas depois compreendeu que pouco importava, porque no lugar onde fora ter por engano sempre acabava por encontrar alguém que o ajudava, alguém de quem podia fazer-se amigo. “Porque – afirmou como se formulasse um dogma – todo o Ser Humano é bom!”
- Sabes muito bem que isso não é verdade, argumentei.
- Quem o não sabes és tu, sorriu de novo. É preciso ser cego para saber que a humanidade é boa. Tenho às vezes problemas, mas sei que na vida tudo tem saída! E, para nos entendermos com desconhecidos, basta um profundo interesse pela vida e pela personalidade dos outros. Basta não ter medo e admitir a profunda necessidade que todos temos uns dos outros. Eu deles, e eles de mim... porque todos são cegos de alguma coisa!”
Lourenço, não me deixou ficar muito tempo na minha reflexão: “Agora, disse, pegando-me pela mão, vamos ver a basílica!” E como se notasse o meu pulso agitado, riu de novo e acrescentou: “Dir-se-ia que sou eu que te guio a ti!”
Era verdade. Deixei-me conduzir pela sua alegria e mergulhei naquela praça que eu visitava todos os dias, mas realmente pisava então pela primeira vez. Com os olhos fechados – tratando de imaginar como a “veria” ele – fui explicando as colunas, o mármore das estátuas, a geometria da fachada, a luz flutuante da cúpula… Ao fazê-lo, dei-me conta que estava a falar da basílica interior…
Quando tornei a abrir os olhos senti-me rodeado de cegos: de gente que falava de dinheiro, de esperanças baratas, de gente que via com os olhos mas não com a alma.»

(Autor: José Luís Martín Descalzo; Fonte: "Razões para a Esperança")

10 de Junho – As medalhas esquecidas!


“Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos.”

(Rui Veloso e Carlos Tê)

Este ano as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, realizaram-se em Santarém.
Foram agraciadas 36 personalidades, oriundas das mais diversas áreas, numa escolha que, na opinião do Chefe de Estado, pretendeu reflectir o dinamismo da sociedade portuguesa.
Sem querer questionar o critério da escolha e muito menos o mérito dos condecorados, queremos tão-somente recordar todos os Homens e Mulheres que por esse país fora, longe das luzes da ribalta, executam trabalhos valorosos e edificantes, servindo o seu semelhante sem esperar receber algo em troca.
O reconhecimento, quando acontece, verifica-se quase sempre a título póstumo e, é também por isso, que hoje os saudamos e agraciamos com a “Grã-Cruz da Ordem da Solidariedade”.
A justiça ser-vos-á feita!

Abstenção: o voto dos "sem voz"


"A Parte mais importante do progresso é o desejo de progredir" (Séneca)

Portugal foi a votos...
Mais importante do que os resultados obtidos por cada um dos partidos concorrentes, é o desinteresse demonstrado pelos portugueses por este acto eleitoral. Num universo de 9.489.277 eleitores, apenas 3.554.931 exerceram o seu direito de voto...
O voto é a "arma do povo"! A abstenção torna cada abstencionista num ELO INVISÍVEL da Sociedade! Esta, que se pretende cada vez mais interventiva, dinâmica, cumpridora dos seus deveres e onde cada um reclame e usufrua dos direitos conquistados ao longo dos anos, todos temos que participar e, não faz sentido que, por culpa própria, percamos poder de decisão.
Torna-se incómodo e preocupante este enorme alheamento perante um acto cívico e de fundamental importância para todos.
Porquê prescindir de um direito consagrado na Constituição?
Que força moral têm os abstencionistas para reclamarem sobre a actuação dos governantes?
A verdadeira DEMOCRACIA constrói-se com a participação de todos. Optar pela abstenção é deixar que os outros decidam por nós.

Reflictam!

Mudar de Agenda


Agora reconheço que “em cada cinco anos” mudamos de Alma em grande parte! Creio nunca ter experimentado, como nesta manhã, o que significa a passagem do tempo pela vida humana! Coisas que há cinco anos me pareceram eternas, já não passam de recordações mais ou menos vagas… "Dores" que pareciam incuráveis, hoje fazem-me sorrir e perceber que eram preciosas para eu poder crescer…
Mudar de agenda é um bom exercício de humildade e de reflexão que nos leva a pôr em surdina muitos dos nossos radicalismos!... Mas claro, não é nada fácil! Recordo que, por vezes, me irritavam os conselhos daqueles que me diziam que esperasse, que as minhas angústias ou as minhas inquietações o tempo as havia de amortecer! Hoje descubro que assim é, de facto, é absolutamente verdade… e assim deverá ser!
Sei que ao mudar de agenda vou sentir-me como que perdida, receosa… mas também esperançosa… porque é como se quisesse, em cada tentativa de mudança, deixar para trás parte de uma pessoa que eu fui, menos boa… Desejo sempre cortar certas amarras que em nada me auxiliam a evoluir como Ser Humano!
Hoje, ao despertar, vi o sol já alto e ele repreendeu-me!
Eu respondi-lhe: “Não grites comigo… Bem sei que posso ser sempre um dos teus raios!” (Sonhei com certeza… um Sonho bem revelador!)
A energia serve de muito pouco se não se dinamiza! Sei que é fundamental dinamizar todas as minhas potencialidades! E… simplesmente não fazer nada de mal não me transforma em alguém bom! Bom é quem positivamente faz bem o que tem de fazer!
É muito frequente abstermo-nos de fazer ou dizer, para não complicar a vida. E isso é justo e lógico quando não temos obrigação de fazer ou dizer. Mas há momentos ou ocasiões em que o não fazer ou não dizer pode constituir um grande mal!
É por isso que desejo frequentemente uma relação gratificante com o Outro, porque, muitas vezes, sinto deficiências em mim mesma e, para que não sejam tão dolorosas, preciso apoiar-me no outro que me é próximo… Ou, por vezes, sou ávida por preencher essas lacunas com algo verdadeiramente harmonioso e belo! Procuro, na realidade, nas pessoas que para mim são significativas, a ajuda de que necessito para chegar a realizar esse “eu” ideal que inconscientemente sonho constantemente!
Mas… afinal… se Eu e todos Nós voltássemos o olhar para dentro de nós, veríamos que o que aspiramos chegar a ser, já O Somos… mas não o vivemos! Limitamo-nos, na relação com os outros que nos rodeiam, a esperar, acima de tudo, que reconheçam as nossas qualidades e o nosso valor… Quando o importante é, então, conhecer a riqueza, a energia, o amor, a inteligência que somos no fundo de nós próprios… e exprimir e pôr ao serviço a nossa essência, ao longo da nossa existência… em cada Dia que passa!
Não quero chegar à velhice sem ter percebido o quão teimosamente lutaram as minhas asas para sair debaixo das omoplatas, mas que morreram como ramos secos, ou porque a realidade as podou, ou porque não me preocupei em cultivá-las!...

Um dia todos nós temos o mundo nas mãos…


Vamos reflectir sobre a nossa relação com o mundo em que vivemos?
Lamentamo-nos de que as coisas vão mal, aceitamos sem recalcitrar tudo o que se sucede à nossa volta… mas… fazemos, realmente, algum esforço para transformar o mundo?! Humm… é difícil… dá trabalho… Eu… ai, como eu sou comodista!
Recebemos diferentes dons de Deus, segundo as nossas capacidades. Mas o importante é desenvolvê-los, fazê-los render… não podemos simplesmente guardá-los dentro da nossa “arca”! Não podemos assustar-nos com os problemas do nosso mundo… O que importa é contribuir para mudar para melhor o nosso mundo, na medida das nossas possibilidades.
Todos podemos fazer algo… tornar este mundo um pouco mais acolhedor, mais humano… Todos podemos prestar alguma pequena ajuda aos outros… De nós depende que haja mais justos e bons!

Era uma vez um homem como todos os outros. Um homem normal. Com qualidades e defeitos. Não era diferente. Mas um dia bateram-lhe repentinamente à porta. Quando abriu, encontrou os seus amigos. Eram vários e tinham vindo juntos. Os amigos ataram-lhe as mãos. Depois, disseram-lhe que assim era melhor; que assim com as mãos atadas não poderia fazer nada de mal (mas esqueceram-se de que também não poderia fazer nada de bom). Foram-se embora, deixando um guarda à porta, para que ninguém lhe desatasse as mãos. A princípio desesperou e procurou cortar as cordas. Quando se convenceu da inutilidade dos seus esforços, procurou, pouco a pouco, acomodar-se à nova situação. Pouco a pouco conseguiu arranjar-se para continuar a subsistir com as mãos atadas. E começou a esquecer-se de que antes tinha as mãos livres.
Passaram-se muitos anos. O homem acostumou-se às mãos atadas. Entretanto, o seu guarda comunicava-lhe as coisas más que faziam lá fora os homens com as mãos livres (mas esquecia-se de contar que também faziam muitas coisas boas).
Continuaram a passar os anos. O homem que se acostumou às mãos atadas começou a acreditar que era melhor viver assim.
Um dia, os amigos surpreenderam o guarda, entraram e cortaram as ligaduras que lhe prendiam as mãos. “Já és livre!” disseram-lhe. Mas tinham chegado demasiado tarde. As mãos daquele homem estavam totalmente atrofiadas
.”

(Autor: Manuel Sánchez Monge; Fonte: "Parábolas como Setas")

Até que ponto nos sentimos também “homens e mulheres de mãos atadas”?!
A sociedade em que vivemos, por um lado, dá-nos certas comodidades, mas… também não nos prende, não nos impede de desenvolvermos a nossa criatividade, a nossa capacidade crítica,…?!
Pode chegar o momento em que seja tarde demais para recuperar a liberdade, porque as nossas mãos estão atrofiadas. O que é que isto vos sugere?

O Começo...

Platão disse algo assim: "Nada daquilo que acontece no mundo é mau para o Homem Bom". Pode a injustiça agredir-nos, mas não nos violará... pode a frivolidade cuspir-nos no rosto, mas não nos afogará... pode a maldade assustar-nos, mas não nos envenenará... Só a nossa cobardia, a nossa inércia pode levar-nos ao desalento, à inépcia, à frieza e à inquietação de espírito!... Porque, toda a insensatez da sociedade jamais será capaz de impedir que todas as Coisas grandes e importantes do mundo continuem a crescer de noite, em silêncio, humildemente, sem que ninguém dê por elas... sem se deixar cair na tentação de ter inveja, também elas, dos barulhentos... É que é preciso muita coragem, muita força de vontade, pois se a bondade e o bem combinam com o silêncio, a estupidez anda sempre rodeada de brilho e de barulho!
A grande peste do mundo contemporâneo - os jornais e as revistas contribuem decisivamente para isso - está no facto, já assinalado por KierKegaard, de os altifalantes serem concedidos, na maioria das vezes, aos néscios. Mas se Alguém "só" amar, "só" pensar, estudar e reflectir, "só" trabalhar, "só" se esforçar por ser sempre honesto e leal, "só" construir algo contribuindo de alguma forma para um mundo melhor,... não será suficientemente importante para aparecer sempre ou muitas vezes nas primeiras páginas dos jornais e/ou revistas.
Sim, estamos num mundo super-informado, que informa de tudo menos, muitas vezes, do fundamental! O que poderá pensar um pobre ser humano que, ao abrir os jornais, só encontra polémicas e violências e que, à noite, ao ligar o televisor, volta a receber uma segunda dose de tiroteios, ambições, futilidades... Enfim! Estamos condenados a ver perpetuamente a realidade através de um espelho deformante.
Na vida de todos os dias, muitos indícios fazem-nos, então, acreditar que estamos em posição de criticar... e porque não? Este é o nosso desafio... não criticar só por criticar... Desejamos sim, especialmente, que este seja um Espaço aberto a críticas construtivas, onde possamos todos abanar a sensibilidade e a sensatez da Raça Humana, partilhar, transmitir mensagens, alertas, abordar temas nacionais, internacionais, notícias, curiosidades, etc... verdadeiramente relevantes, dignas de nota!!
Julgamos ser esta apreciação o que explica o Mundo... dá-lhe sentido... e guia a acção!

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