«Acho sempre muito divertido quando a Organização Mundial de Saúde diz que a adolescência termina aos dezoito anos. No sentido interior do termo, somos todos um bocado adolescentes para sempre. Da adolescência à experiência parental é tudo muito rápido. As pessoas vêem-se obrigadas a crescer muito depressa. Tem poucas experiências verdadeiramente relevantes. De um momento para o outro, são devorados pela voracidade da rotina. O importante é terminar a faculdade, arranjar trabalho, um bom carro, casa e por aí fora. Aos quarenta anos, apercebem-se que não tiveram tempo de olhar para todas aquelas questões que fazem parte da natureza humana. Então, são invadidas por sensações contraditórias. Voltam a questionar-se. E há sempre quem as condene. Como se isto de nos questionarmos, de reflectirmos sobre os nossos sonhos, as nossas relações, as nossas vidas, fosse qualquer coisa própria da adolescência. Como se todos aqueles que continuam a interrogar-se fossem uma espécie de produtos fora de ...