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Perdidamente


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca)
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3 observações:

  1. Filipa disse...

    ...Não esqueço nunca os Teus Pequenos Grandes Gestos!...

  2. Pai disse...

    Um dos poemas mais belos que algum dia li, intemporal e (e)terno, inspiração para inúmeros artistas que a adaptaram para música... também essa eternizada pela voz do Luís Represas.

  3. Alexandra disse...

    São poemas como estes que nos fazem parar e sonhar..."Eles não sabem, nem sonham,
    que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre a mãos de uma criança(de António Gedeão, Pedra Filosofal)".

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