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Mensagens

Em Nápoles, as crianças voltam ao trabalho

Nesta cidade, que está entre as mais pobres da Europa, milhares de crianças deixam a escola para ajudarem os pais a fazerem face às despesas. Fazem pequenos trabalhos não declarados ou são recrutados para os trabalhos sujos da máfia. Um fenómeno que a crise acentuou.   Sete horas da manhã, San Lorenzo, no coração de Nápoles. Um miúdo corre pelo labirinto de ruelas húmidas, com uma pesada caixa de conservas debaixo do braço. Casaco acinzentado, capuz na cabeça e sapatos de ténis muito usados, o pequeno Gennaro começa o seu dia de trabalho. Ninguém se espanta de o ver a labutar tão cedo. Em setembro de 2011, Gennaro foi contratado por uma mercearia. Seis dias por semana, dez horas por dia, arruma prateleiras, descarrega caixas e entrega compras no bairro. Gennaro sonhava ser informático, mas é moço de recados numa loja, a profissão mais comum entre as crianças trabalhadoras de Nápoles. Trabalha ilegalmente, por menos de um euro à hora, e ganha, no máximo, 50 euros por semana. Gennaro...

Emigração, uma bela miragem

Após assistir ao nascimento da " geração parva " de jovens precários, a crise levou as famílias a sair do país para procurar trabalho na Europa. Mal preparados, sem saberem falar outras línguas e sem recursos, acabam muitas vezes a viver na rua. A expressão "emigração parva" é usada pelo representante do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) no Luxemburgo, Eduardo Dias, para descrever a nova vaga de pessoas que tem chegado ao país do centro da Europa. São casais, entre os 35 e os 50 anos, que chegam com os filhos menores e sem garantias de trabalho, sem falar a língua e transportando apenas o conceito (errado) de que há um emprego à sua espera ao virar da esquina. O retrato deste grupo de emigrantes portugueses, que está a crescer, lado a lado, com os jovens qualificados que tentam a sorte fora do país, é repetido por vozes que falam de outros cantos da Europa: Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Alemanha e, de forma mais veemente, na Suíça. Foi daqui que soo...

Até quando voltarão as cegonhas?

Quando, em finais de Janeiro, as cegonhas regressam ao seu velho ninho, no alto do campanário da igreja, nas ameias do castelo ou no topo de uma velha árvore, sabemos que o bom tempo e a primavera se aproximam. Existe, aliás, um velho ditado português que assinala o seu regresso: " Pelo São Brás a cegonha verás ". Efectivamente, o dia de São Brás assinala-se a 3 de Fevereiro. Assim tem sido ao longo dos tempos, mas a dúvida surge quando avaliamos as alterações climáticas e constatamos que árvores e plantas florescem fora da sua época normal, o calor e o frio excessivos se mantêm por períodos prolongados, ou, pelo contrário, se revelam mais curtos, obrigando a mudanças drásticas no nosso dia a dia. Num encontro recentemente realizado em Durban, na África do Sul, onde se reuniram especialistas de mais de 190 países, todos concordaram quanto à necessidade de chegar a acordo sobre a redução das emissões de carbono - uma das principais causas das alterações climáticas. Depois do A...

Igualdade de Género - Acabemos Com o Dia da Mulher!

" Mulheres, uma luta sem fim ”, titula o Le Monde na ocasião do Dia Mundial da Mulher . Mas no seu editorial, o diário parisiense pronuncia-se “a favor da abolição do dia 8 de Março ”. Acaba por ser algo irrisório o facto de se insistir, uma vez por ano, em colocar na ribalta metade da população mundial para constatar que esta não tem a mesma igualdade que a outra metade. A luta pela igualdade das mulheres é uma luta diária, que não é travada apenas no dia 8 de Março. De facto, o ano que passou demonstrou claramente que a luta das mulheres é constante e a Primavera Árabe mediatizou cidadãos que constituem um verdadeiro desafio para os partidos islamitas. “ Na Europa, e nomeadamente em França, as mulheres também não conseguem baixar a guarda um único dia no ano .” Mas tomando a França como exemplo, o Le Monde recorda que as mulheres continuam muito afastadas das responsabilidades na política e na alta administração e que a discrepância dos salários continua a atingir os 25%. ...

O Exemplo Sueco!

Há precisamente cem anos que a primeira unidade de incineração de resíduos da Suécia entrou em funcionamento. Desde então, o lixo tornou-se a principal fonte de energia sueca, à frente do petróleo e do gás. Fornece mais energia que o conjunto de recursos hidroeléctricos e nucleares. A biomassa, constituída por resíduos vegetais e animais (incluindo humanos), é amplamente utilizada na produção de electricidade e calor. É usada como combustível para os transportes e matéria-prima para a indústria. A maioria das cidades suecas é aquecida por centrais térmicas alimentadas directamente pela combustão de resíduos e pelo biogás produzido a partir destes. Actualmente, o aquecimento da capital sueca é assegurado, principalmente, pela central de cogeração de Högdalen e por algumas unidades auxiliares, localizadas na vizinhança de bairros residenciais. Na Suécia, apenas 1% dos resíduos é depositado em aterro. Principalmente as substâncias mais perigosas, que são armazenadas em recipientes herméti...

Como a pobreza ganhou terreno nas classes médias

"Numa altura em que o desemprego atingiu um nível recorde na União Europeia, cerca de um quarto dos europeus que tinham, até agora, um nível de vida decente correm o risco de deslizar para a exclusão social. Um fenómeno que compromete as estratégias europeias de luta contra a pobreza. As vítimas da crise são agora os sectores da sociedade que há apenas um lustro faziam parte da classe média, ou média-baixa - hoje são os novos pobres.  A tradicional imagem da pobreza ligada à mendicidade é agora associada à normalidade. " Os voluntários de antigamente são hoje os nossos beneficiários ”, explica Jorge Nuño, secretário-geral da Cáritas Europa. Os exemplos mostram as razões que estão a deixar cada vez mais cidadãos na pobreza: endividamento familiar , falência de Estados pródigos em subsídios ou a existência de trabalhos de má qualidade . Aos três núcleos tradicionalmente mais expostos à pobreza – crianças e idosos , mulheres e imigrantes , ou seja, a idade, o género e a etnia...

Sete Caminhos Para Um Envelhecimento Feliz

Segundo um estudo de um grupo de investigadores da Universidade de Harvard, o qual acompanhou três grupos de americanos ao longo de várias décadas, um casamento feliz e um bom nível de escolaridade pesam mais numa boa velhice que o valor da reforma. Para este estudo foi seleccionado um grupo de alunos de Harvard, um grupo de rapazes não delinquentes de um bairro pobre e um grupo de raparigas de classe média. Ao longo da vida, foram realizadas entrevistas periódicas, bem como exames médicos que atestavam a qualidade do envelhecimento de cada um. Cruzados os resultados, os investigadores seleccionaram sete factores determinantes para garantir uma velhice feliz e saudável: não fumar ou ter parado de fumar cedo; capacidade de adaptação às circunstâncias da vida; não abusar do álcool; ter um casamento saudável; um peso estável; fazer algum exercício e, por fim, a educação. Mais do que o nível social, o prestígio das escolas ou da profissão escolhida, foi o nível de escolaridade que se reve...